quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Quem faz o público das bandas independentes?

ONDE ESTÁ O PÚBLICO?



Esta é uma pergunta que, vira e mexe, é jogada nos círculos.
Respostas vagas, suposições embasadas na inércia e a falta da teoria ser aplicada à prática, não calam aos que insistem nela.
Na última quinta, um fato importante nos fez refletir sobre o cenário do público independente.
Com duas bandas de outras cidades no palco, a tendência defendida pelos fazedores da cena, apontavam um resultado prévio preocupante. Dizem as línguas que bandas de fora não têm público. Mito quebrado na última quinta-feira.
Numa doentia corrente de descontentamento generalizado, bandas locais temem por seus shows estarem vazios e não aceitam as agendas propostas pelas organizações. Apostam em dobradinhas com bandas que trazem mais público e, muitas vezes, se acomodam nestas bandas mais populares sem fazerem seu próprio trabalho de divulgação dos shows.
Pior ainda, promovem shows gratuitos em locais que não sinalizam nenhuma possibilidade profissional às bandas e arrastam multidões com o bordão - "é de graça!".
Tocando no assunto Grito Rock 2009, as produções locais optaram pelo voto do público e exigiram este trabalho das bandas participantes. Em troca do status de participarem do maior Festival da América Latina, as bandas tiraram o público, sabe-se lá de onde. Mas o que interessa pra esta nossa filosofia, é que estavam em centenas lá e a pergunta é: onde estavam nos últimos 8 meses? Será que virarão fumaça nos próximos?
Porque estas bandas não trabalham nesta mesma disposição quando queremos construir um cenário sustentável de público para as bandas independentes da cidade? Será que não os importa este trabalho? Será que o que realmente os compete é o encaixe do pedal de bumbo ou a volumação da caixa amplificadora? E que a sorte seja lançada?
É lamentável algumas formas de raciocínio e contra-atividade vistas na cena. Claro que pra não dizer que não falamos só das Flores.
É do interesse de todos os envolvidos na cena independente que o mercado possa pagar, um cachêt mínimo por apresentação de banda? É do nosso interesse que jornalistas vejam bons trabalhos despontando na cidade? É importante que nossos discos sejam vendidos e ouvidos pelo grande público? É gratificante que tenhamos uma casa cheia de pessoas cantando nossas canções quando entramos no refrão?
Então, arregassem as mangas, porque o trabalho é de todo mundo e não de um"produtor".
Afinal, banda independente tem produtor?
As organizações e produções, por mais bem intencionadas que possam ser, dependem do comprometimento de todos os envolvidos, quando a cadeia é muito maior do que, até os mais escolados no mercado, possam vir a imaginar.
As bandas, melhor esclarecendo, alguns integrantes de algumas bandas, são assíduos, isso não podemos discutir. Alguns chegam a acompanhar até 80% das agendas como fazem os públicos do FID, FIT, Festival de Cinema de Tiradentes, Festival Independente de Cinema, FIQ, FAN e até, Comida di Buteco.
Nas platéias dos FID e FIT, 95% do público nunca tiveram a pretensão de subir num palco. São público, passivos, consumidores de arte e cultura.
Ver uma formação de banda completa (vocalista, guitarrista e back vocal, baixista, tecladista, flautista e baterista) tomando junta uma cervejinha no Matriz e vendo a banda dos colegas se apresentando na noite, é no mínimo um sonho surrealista. E pra que insistir?

Não veremos o Grupo Corpo e seus 30 bailarinos num mesmo espetáculo do FID. A formação completa do Galpão na platéia do FIT. Perdemos tempo num raciocínio errado de trabalho de divulgação e promoção da cena de música local enquanto não despertamos nos exemplos e digo até, erros e acertos, vistos em eventos semelhantes.
Ao invés de tentarmos arrastar, em vão, a banda completa pra cena, convidamos um primo ou vizinho, colega de faculdade, amigo de infância aos shows das mais de 70 bandas (vide coluna ao lado), dentre algumas, inéditas em BH. Com tanta diversidade musical e artística é impossível não conhecermos alguém, nesta cidade, que possa assistir a um show que lhe agrade.
Devemos repensar uma proposta de construção e formação de público.
Se os colegas de banda não foram até hoje nos shows de bandas independentes, não é este o público que o mercado espera formar. O público para esse novo mercado não será "arrastado" aos shows, mas apresentado à cena musical.
Hoje nossa cena alternativa, underground, independente, mais que nunca, tem vida, movimentação e muita criatividade. Só não vê quem não quer.

E por mais que a paralisia de alguns músicos para com este tema, seja tão séria a ponto desta discussão aqui ser levantada, o trabalho de outros poucos é contínuo e exaustivo, que acabará por trazer à tona a diferença entre a auto-promoção e a necessária gestão do mercado novo de música em MG.

Velásquez (DF) e Ruído Jack (Montes Claros) arregaçaram as mangas e, no resultado do trabalho das três bandas em conjunto com Lupe de Lupe, o público estava lá presente. Na maioria, gente que nem sabia que dentro daquela galeria no JK existia uma Matriz. E a noite foi, no mínimo reflexiva, porque avançava enquanto o público não arredava o pé do gargarejo.
Será que Belo Horizonte virá a se tornar a capital brasileira da música independente e vitrine definitiva da música que vem de fora?

Eram 2 horas da manhã e o público na pista pedia ao Jon para não parar de discotecar.

Há de se pensar à respeito, não?
Mais ainda, quando ouvimos o depoimento do Ruído Jack e do Instituto Gerais de Montes Claros sobre a presença de público nos shows realizados por lá.
Com muita humildade e trabalho, aprenderemos.
Parabéns às três bandas!

Nesta quinta, o Projeto Matriz apresentará as bandas Os 4 Ventos (BH) e Santeria (Sete Lagoas).
A qualidade musical destas duas bandas é indiscutível.

Nem precisamos reforçar o convite.


por Malu Aires

PRÓXIMO BH INDIE MUSIC - PROJETO MATRIZ

Dia 12/02 - quinta-feira

Show com as bandas independentes Santeria (BH), e Os 4 Ventos (BH).
DJ Thiago (Charge).
BH Indie Music Projeto Matriz
MATRIZ - Rua Guajajaras, n° 1353 (Terminal Turístico JK)
Horário: 21H
Entradas: R$ 6,00
Censura: 16 anos.

6 comentários:

  1. A ousadia do projeto só bate de frente com a insegurança de certas pessoas, ao meu ver. Eu, da banda Lupe de Lupe, vim de Valadares para morar em BH e tudo mais. Aqui encontrei uma infraestrutura absurda, sendo que ninguém ganha tanto dinheiro assim e a maioria faz por puro prazer mesmo. Claro que todos esperam um reconhecimento. Aqui estou eu agora para reconhecer o trabalho dos organizadores do BH Indie. E acho que todos deveriam fazer o mesmo. É tudo tão completo quanto poderia ser e ainda tem gente que reclama. O ser humano é impressionante mesmo. No nosso show no sábado tentei levar o máximo de pessoas possíveis, resultado... foram umas 7 ou 8 (grupo diretamente ligado ao fato da banda ter tão pouco tempo de estrada). Chegando lá fiquei impressionado com o número de pessoas presentes. Isso me deu vontade de seguir em frente, e espero que seja assim para todas as bandas. Babação de ovo a parte. A organização do BH Indie merece uma salva de palmas. Por puro suor vai conquistar um espaço na história de muitos, e mais, acredito eu que no futuro vamos ouvir falar de algo sobre a cena de BH e, isso será ligado diretamente, a organização dos eventos. A Lupe de Lupe é um exemplo disso, com menos de três meses a gente já tá aí tirando uma fatia do bolo. No entanto, é verdade. A maioria dos músicos é preguiçosa. Só se quase ganhar na mão que vai pra frente mesmo. Temos que mudar vendo pessoas como vocês trabalharem assim. Por puro suor e prazer. A única parte ruim de todos os movimento, undergrounds ou não, são as panelinhas. Até hoje não vi nada disso por aí, apesar de ter ouvido umas histórias. Panelinhas existem em todos os lugares, inclusive em Valadares, de onde eu vim, e é isso que move as coisas por lá. Espero que não tanto por aqui. Enfim, muito obrigado por ter cedido esse espaço para nós e tantas outras bandas. Um espaço ousado e mesmo com a insegurança apresentada pelo público e por certos músicos, deverá ir pra frente. Tentei ser o mais realista possível nesse texto aqui. Abraços.

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  2. Nossa Malú! Você escreve igual pensa! Suas idéias são super interessantes, no entanto o texto está muito carregado. Um texto tem de ser "fluído". Uma idéia conectar com outra. Realmente não entendi qual é sua posição quanto ao tema. Postei como anônimo pois, neste momento, fui covarde e, quero ler e comentar próximas matérias, assinando-as, com o condão de não ser rechaçado. rs

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Eu comento com o pessoal o seguinte , não entendo a parte técnica da música. O meu gostar é pelo sentimento que a música me passa . Curiosamente no filme O Curioso Caso de Benjamim Buttom tem uma citação parecida.

    Agora , de internet , de reação de público , isso eu entendo. Naturalmente cometo alguns engandos , mas são poucos. Sei quem é quem .

    Antes de orkut , já mexia com Fórum e aprendi muito em relação ao modo das pessoas comentarem.

    O básico é desconsiderar post anônimo , pois quase sempre a intenção é ruim .

    A pessoa é o que ela escreve . Não existe uma separação da vida real e virtual.

    Sem falar na dificuldade muito grande de interpretar textos maiores

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  5. "(...)É lamentável algumas formas de raciocínio e contra-atividade vistas na cena."

    O texto publicado é uma reflexão, não uma abordagem jornalística, onde prevalece a imparcialidade e a abordagem, vezes, superficial.
    Bem explicado pelo Marco Antônio, posts de anônimos são desconsideráveis e sempre contraproducentes.

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  6. Recado para a galera que gosta de bandas independentes,
    ou mesmo que são integrantes das mesmas...
    O Taniguchi Studio Webdesign Lab, tem um novidade;

    - sabendo que todos precisam de apoio,
    para que nossos sonhos se realizem,
    o Taniguchi Studio, oferece seus serviços,
    por simples valores simbólicos,
    para os integrantes de bandas indepedentes,
    para que, como os membros do Taniguchi Studio,
    essas pessoas tenham oportunidade de crescer.

    E é com imenso prazer que Eu, Micke Taniguchi,
    Gerente do Taniguchi Studio Webdesign Lab,
    vem trazer a vocês essa oportunidade!

    Aguardo o contato de vocês!

    www.taniguchistudio.com.br
    ou
    Micke@TaniguchiStudio.com.br

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