quarta-feira, 8 de abril de 2009

COBERTURA DOS SHOWS DE MONTES CLAROS E DE RIBEIRÃO DAS NEVES

Demoramos um pouco para falarmos do assunto. Mas precisávamos, antes de um contato com a banda As Horas, recém chegada do 1º Circuito Catrumano de Música Independente em Montes Claros, para ter o testemunho de BH, porque o de MoC já está distribuído por todos veículos da cidade.
Ontem à noite, eis que chega o e-mail esperado do David Dines sobre o relatório completo das experiências da banda nas boas bandas de lá.
Aproveitando o assunto, vamos falar do 1º Rock Fusion que aconteceu em Ribeirão das Neves, também no sábado passado, comemorando o lançamento do Coletivo Semifusa.

AS HORAS NO 1º CIRCUITO CATRUMANO DE MÚSICA INDEPENDENTE

foto: Alan Lima
Como era de se esperar, os projetos se firmam na seqüencia e na ralação contínua de seus realizadores. E na competência com que conduzem seus projetos.
Apostam neles, as bandas, que como As Horas, percorreram 800km na expectativa. E o público que não conhece a atração da noite.
As boas energias e o bom emprego do otimismo, além do trabalho que se finda só depois do final, acabam que, justamente, trazendo os resultados merecidos.


foto: Alan Lima

Mais de 200 pessoas presentes, vibraram, dançaram e se acabaram com o som d'As Horas, até madrugada adentro. Com direito a comemoração póstuma à Kurt Cobain no list que mandou autorais como "Acostumável" e "My Toy Suicide", com impressionante resposta do público.

Abaixo, trechos do e-mail do David:
"... foi uma experiência foda, F.O.D.A., com todas as maiusculas e negritos possíveis! Expectativas superadas em larga escala!"
"... Amps de guitarra grandes, retornos individuais, microfones wireless e iluminação preparada: muito mais do que poderíamos esperar!"
"... Pra constar: tratamento de primeira, hospitalidade nota mil. Sem falar nas pessoas de cabeça aberta, com as quais pudemos trocar experiências sobre o ofício da música independente de forma honesta, sem meias palavras e com senso ético, do jeito que deve ser feito."

Tal qual as necessidades de titãs, a gente come, bebe, se diverte, vive arte, mas também se emociona. Por que de longe, há 430 Km de distância, a gente só pode torcer para que tudo dê certo na viagem, no show, nas expectativas de todos que investem neste trabalho da música. E quando esse retorno nos chega com entusiasmo e tranquilidade... ufa! Mais uma etapa do trabalho cumprida.

Não me cansarei de dar os parabéns à todos de Montes Claros. Agradecemos aqui ao Instituto Geraes, em nome de todos que fazem parte do BH Indie Music e seus projetos.
Agradecemos, também, as fotos tiradas e cedidas pelo Alan Lima do Coletivo Retomada e pela cobertura completa do evento, que vem sendo filmado pelo Samuel Possilga da A.R.M.C.R. para que pudéssemos contar a história destas viagens aqui neste blog.


Nosso agradecimento público às bandas que presenciaram o show d'As horas na última quinta em BH, no BH Indie Music - Projeto Matriz, porque foi fundamental na ajuda de custos da viagem que se pagou com sobra, somado ao resultado do sucesso em Montes Claros.

Vale conferir o depoimento pessoal e presencial do Instituto Geraes no blog deles. É de arrepiar quem torce e trabalha para que tudo dê certo no mercado de música independente. E postem um alô pros caras que eles merecem esse retorno: http://institutogeraes.blogspot.com/


Por agora, convoco o público do BH Indie Music para dar a mesma impressão à banda Sofia (Montes Claros) que se apresentará amanhã. Porque é dessa imagem positiva e dessa cordialidade entre as duas cidades que se fará o sucesso e futuro desta parceria abrindo espaço a todas as bandas da coluna ao lado, neste blog.
Mas, mais que isso, a Sofia é F.O.D.A. mesmo! E merece ser vista, como todas as bandas que estão descendo do Norte de Minas a cada 2 semanas para BH pela qualidade que carregam na bagem autoral. Qualidade que precisa ser ouvida e presenciada por todos os sensíveis titãs desta cidade. Vambora engrossar as palmas de amanhã!



SOBRE O ROCK FUSION EM RIBEIRÃO DAS NEVES

visão parcial do público - foto: Ricardo Reis
Em junho de 2008, descobri, com o I BH Indie Music que BH podia ser bem maior que a circunferência da contorno. Que a grande BH, excluída pelo centro-sul, tinha produtividade musical, ainda que não tivesse campo de atuação. A resistência independente estava lá, não aqui com as facilidades que temos do centro urbano.
Uma banda, das 18 que estavam escaladas para o festival, me chamava mais a atenção, era o 4º do Sebastião. Claro, perguntei da onde vinha aquele nome engraçado e curioso. E a história contava justamente a raça da banda. Era o quarto d'um sinhorzinho que emprestava o cômodo pros ensaios da banda.
E a banda chegou ao palco num domingo à tarde. Nas letras não carregavam mágoas contra o sistema burguês, política, polícia ou reinvidicações sociais. Falavam de sentimentos, falavam de amor. Não que houvesse qualquer pré-conceito formado, mesmo porque, ainda no I BH Indie Music, era possível ouvir as MP3 que as bandas enviavam.
Bom, esta é a história do início e do fim da banda 4º do Sebastião.

Contudo, as relações humanas, imprescindíveis neste movimento, me aproximaram de Rodolfo Gullar, guitarrista da extinta banda. Em setembro de 2008, convidei-o para a assistência de produção do II BH Indie Music. Não queria perder aquele ser humano de vista e esperava, sinceramente, que sua música não terminasse.
Disse-lhe que queria-o por perto do BH Indie Music para que ele pudesse ter experiência para guiar um projeto semelhante em Ribeirão das Neves e fomentar a cena local. Ele veio.
De uma distância, que só provei neste final de semana, entre os 25 km que separam Belo Horizonte de Ribeirão das Neves, vinha ele, todos os sábados, organizar as apresentações que aconteciam no Matriz à tarde, pelo II BH Indie Music. Colaborou no Minueto, também, e estava disposto a maiores colaborações se eu não visse na sua dificuldade de transporte diário um desgaste físíco desnecessário e irresponsável, insensível, da minha parte, se permitido.

O II BH Indie Music termina numa confraternização de bandas participantes e foi triste não vê-lo com a sua banda no palco. Contudo, dei-lhe uma tarefa de participação especial com Junkbox e o coloquei no fogo da "jam" e do improviso.

Rodolfo voltou à Neves. Especulo agora, deve ter deitado exausto no sofá de casa, aberto o case, empunhado sua guitarra, olhado traste a traste, ensaiado uns acordes e corrido ao telefone, atrás da galera.
Não só remontou a banda, deu-lhe novo nome, mas também assume a frente do palco, como vocalista. E cá entre nós, adianto, que vocalista era ele e onde ele o escondeu esse tempo todo?

E não parou por aí, se reuniu com os trabalhos locais, com as bandas independentes da região e criou o Coletivo Semifusa, que foi lançado junto com o projeto intitulado "Rock Fusion". Ambos, nasceram de uma proposta bem embasada, dada a realização do evento no último sábado.

A divulgação com dois meses de antecedência, reuniu centenas de curiosos nos limites da praça. Todas as tribos da cidade estavam presentes, indies, góticos, metaleiros, skatistas, evangélicos e protestantes. A juventude estava lá e as idades variavam de 8 a 80 anos. Nascia algo pra cidade deles e, mais que isso, vindo deles próprios. O orgulho estava estampado na cara de todos.

Há uns 4 anos venho vendendo de mão em mão o CD Florais e perdemos a rota dos nossos discos, quando trabalhamos de forma independente. As gravadoras pedem shows em regiões que querem vender discos, ou vendem shows em regiões onde os discos vendem. Nós, independentes, não temos mapas, relatórios e somente semeamos.

Meu depoimento pessoal como banda? Deu certo pra Junkbox.

Junkbox - Foto: Ricardo Reis

O público cantava junto Deixa prá Lá, Retrato Perfeito, Florais de Bach e pedia Oração à Piedade - música que compus falando das crianças pobres. Como dizer que o público não entende a nova criação? Será que todas as palavras já foram ditas? Será que tudo já foi criado? NÃO! E para isso, somos artistas criadores e estamos aqui.

Ricardo Reis deu as honras da casa e abriu o projeto. Sozinho, em voz e violão, levando suas canções à massa em seu segundo show solo, deixou-se tomar por grande coragem que o levou até o final, com o aplauso do público.



Ricardo Reis

Nós, com a Junkbox, que passamos por todas as mais hilárias histórias (isso porque rimos de nós mesmos) pra chegar a tempo no show, subimos em seguida. Já narrado o sucesso da nossa apresentação no Rock Fusion, continuamos a grade.



Manolos Funk - foto: Rodolfo Gullar

Vem Manolos Funk, em seguida, detonar com tudo (no bom sentido, sempre) a swingueira que aprontam faz com que a pista seja tomada pelo público que dança, tirando a coreografia dos skaites que dominavam a frente do palco. Os samples da banda nunca foram tão limpos aos meus ouvidos e a sonzeira da Manolos pôde ser ouvida por toda a cidade. A música independente já ganhava o público.


Verto

Depois, veio a banda Verto do nosso querido e cordial Rodolfo. Em seu primeiro show, a banda não titubeia, porque no palco só tem músicos experientes, ainda que tenha me surpreendido o Rodolfo como vocalista e a Karine assumindo o baixo na banda. Como lhes disse pessoalmente, parecia o mal necessário a tal granada abençoada que explodiu o quartinho para que criassem algo novo e sólido, que hoje atende como Verto.

Hum... Carolina Diz e diz tudo. Quem eram Zezé di Camargo e Luciano, Chitãozinho e Xororó pra assumirem aquele palco e segurarem aquele público, naquele momento? Tava tudo dominado! O Rock Fusion era independente. E a canção "Mariana" criava o clima de palco e festival de grandes bandas.


Carolina Diz - foto: Ricardo Reis

Tive que voltar antes dos shows do Radar 04 e do Orfeu, ambas bandas locais. Estava com um carro emprestado de uma amiga e tinha que devolvê-lo. Além disso, o fusquinha 86 não tinha farol alto e o macaco dava medo de precisar usar.

Mas, através do blog do Semifusa conferi que o Rock Fusion foi fechado com chave de ouro pelos donos da casa, como assim deveria ser.

Parabéns Coletivo Semifusa! O prazer é todo nosso de vê-lo nascer.

O Verto estará no Projeto Matriz da próxima semana, não percam este show.
A gente se encontra ao vivo e em cores amanhã no Matriz.

por Malu Aires


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