domingo, 24 de maio de 2009

PROMETENDO A MELHOR SONORIZAÇÃO DE PA PARA AS SUPER BANDAS DA NOITE

Esta semana, daremos um passo importante com a iniciativa de uma "DemoShow - Engenharia de Som", convidando o Engenheiro Eduardo Martins (formado na Unicamp) para demonstrar seu trabalho aos leigos e manipular a sonorização dos shows da noite, para a platéia.
 
Em 2001 tive o imenso prazer de conhecer Eduardo Martins. De lá pra cá, nunca mais nos desgrudamos.
Descobri que era da minha responsabilidade me cercar de equipe competente se quisesse proporcionar shows à altura do público que buscava - o da exigência. Ao longo destes anos, aprendi muito com meu mestre. Principalmente que não devo apresentar meu trabalho ao grande público, sem a presença dele, jamais. E que a responsabilidade pelo disigner sonoro dos meus discos sempre estará com ele. Fiz-lhe o convite e ele topou participar desta edição do Projeto Matriz.
 
Por que trazer um Engenheiro de Som para um "Trabalho-Demonstração" às bandas? Porque pra muitos, este profissional não é reconhecido. Nos preocupamos com os melhores intrumentos, amplificadores, mas não pensamos no que a platéia está ouvindo. Perguntar pro gargarejo: "Vocês tão ouvindo a gente?". Não vai adiantar nada. Aumenta-se uma voz, sem diminuir um bumbo...
Muitas vezes, chegamos num palco, evento, casa, e um cara nos espera com cabos e fios na mão, perguntando: "São quantas vozes?". Este responde como técnico de palco e nos grandes eventos, é contratado pela equipe de sonorização. Outro, espera as plugagens pra começar a abrir a mesa. Este é o técnico de som (palco). Lá na frente, ainda nos grandes eventos, uma barraquinha coberta guarda outra mesa. Lá está o técnico de PA.
 
E aonde entra o Engenheiro? O engenheiro conhece da tecnia dos equipamentos e descobre a potencialização dela para o espaço, de acordo com o som produzido à partir da banda/artista. São os ouvidos do artista na platéia.
 
O engenheiro aproveita desta potencialização para difundir o melhor som e trazer o melhor da banda para o público.
 
Nós, artistas, estamos reféns dos sons de palco. Não temos noção do que está sendo mandado pelo PA e estamos executando nosso trabalho "às surdas" sem alguém de competência que amplifique nosso som, sem distorcê-lo ou provocar choques frequenciais.
 
Pior, quando encontramos sujeitos marrentos que estão no espaço para operar mais de 10 artistas numa mesma noite, querendo mostrar potência de SUB, mais que harmonia das notas do baixo - auto-promoção de locação de equipamento.
 
Se o som da banda não tiver legal, problema da banda, não da logística do evento. Eles ganham pra acender led, não pra sua banda decolar e receber aplauso.
 
Mas a banda pode levar um técnico próprio ao invés de um engenheiro? Sim, mas a competência pelo design, acústica, captação (microfonação), ambiência, transmissão e amplificação de som é apenas de um Engenheiro de Áudio. A ciência da matemática das freqüencias X acústica espacial é dele. O técnico opera a mesa e regula os volumes nas caixas. O Engenheiro está lá pelo som da sua banda, não pelo equipamento.
No estúdio de gravação, o engenheiro de som é também responsável pela concretização física da criatividade do produtor musical ou músico criador. Em questões típicas de amplificação do som, os engenheiros de som assumem muitas vezes o papel de produtores, tomando decisões artísticas, para além das técnicas.
 
Um artista operando os P.A.'s é o que mostraremos nesta quinta. E haja habilidade pra três bandas tão diferentes.
 
Falando das bandas...
 
Fechando com chave de ouro, o mês de maio, sobem ao palco do Projeto Matriz as bandas Julgamento (destaque no Hip-Hop em BH), Vulgaris e Soprones (Revelação do Palco Rock Salvador 2009).
 
Julgamento é A Banda. Não vou entrar em mais detalhes. Merece ser ouvida e vista para entenderem a sublimação.
Vulgaris acaba de chegar pelas Pré-Seletivas e já está incluída na Programação do III BH Indie Music.
Soprones vem de Montes Claros. Destaco a banda pelo trabalho do seu baterista, Danilo Baliza como um dos responsáveis pelo Instituto Geraes que vem possibilitando a subida das bandas de BH até o Norte de Minas. Um agitador que está transformando Montes Claros para a música independente através do Circuito Catrumano de Música Independente. Chegou a hora de BH aplaudí-lo frente à máquina Soprones.
 
Abram seus ouvidos e mentes, pois a noite promete...

 
JULGAMENTO

foto Rejane Ayres

Em atividade desde o final dos anos 90 o grupo é um dos principais expoentes da cena musical belo horizontina. O discurso direto e livre de apelações aborda temas relacionados à valorização humana mesclando beats eletrônicos, rimas, scratchs e elementos orgânicos resultando em um verdadeiro petardo sonoro. "Ritmo e poesia em sua mais pura expressão" como o próprio grupo se define.

Em 2002 foi lançado o single "Fazendo o som", trabalho que já indicava o rumo singular que seria seguido pelo grupo, em 2006 participou da coletânea "Conexão Telemig Celular" com a faixa CAOS e em 2008 participou da coletânea "Malucofonia", projeto produzido pelo DJ Roger Dee e que reúne trabalhos importantes da atual cena hip-hop da capital.

O primeiro disco "No Foco do CAOS", gravado e produzido por Sérgio Giffoni, foi lançado de forma totalmente independente em abril de 2008. O trabalho foi masterizado por Fabrício Galvanni e conta ainda com as participações de velhos parceiros como a banda Ragna, a cantora Nathy Faria e expoentes importantes da cena hip-hop como Dokttor Bhu, Muck (SOS Periferia), DB e Luciano Pereira.

A banda esteve presente em diversos eventos da cena local como o Carnaval Revolução (2003), Eletrônika – Festival de novas tendências musicais (2004), Conexão Telemig Celular (edições 2004, 2005 e 2006- esta última contou com a participação da cantora Negra Li), a primeira edição do Festival Garimpo (2007) em comemoração aos 10 anos da Obra e do programa Alto Falante (Rede Minas/TV Cultura) e Stereoteca (2008).

O Julgamento é formado por: Roger Deff, Ricardo HD e Voz Khumalo (vocais), os DJ's Giffoni e Tobias (toca-discos), Lício DAF (baixo), Helton (guitarra) e Gusmão (bateria).

" ...demonstra referências calcadas em diferentes meios e estilos para a construção de suas músicas, pautado pelo discurso politizado, pelo barulho arquitetado, pela verdade urgente, pela necessidade de comunicar seu julgamento, sua opinião para outras pessoas. Isso de uma maneira que não parece chata nem apenas uma reclamação jogada ao vento" - Lafaiete Júnior - site do Programa Alto Falante.

"Os mineiros fazem um som diferente, dançante, sem apelos comerciais e com uma qualidade que vale a pena até o mais avesso ao estilo escutar"

Rafael Campos – site Odisco
 

VULGARIS

O Vulgaris foi criado lá pelos idos de 1990, se desmembrou, virou outra banda, o Humanst 99, tocou por mais uns dois anos e acabou.

Os integrantes de então foram, cada um cuidar de sua vida. Um foi fazer um curso de cultivo de herva cidreira na Colômbia, outro inciciou um criação de Gnus no interior do Sri Lanka e o terceiro mudou-se para a Rocinha (RJ), onde tentou, sem sucesso, montar um grupo de pagode. Os projetos pessoais até que estavam indo bem, mas faltava alguma coisa aos três sujeitos.

De repente veio uma luz transcendental e clareou as idéias dos caras - o que faltava era o rock'n'roll. Eles resolveram então reformular o grupo que ficou com o nome Vulgaris e com a última formação do Humanst.

A Fênix ressurgiu das cinzas no início de 2001 (cabalístico, hein!), resgatou algumas músicas dos velhos tempos, criou uma porrada de outras novas, ensaiou pra caralho e entrou em estúdio em julho deste mesmo ano, tudo muito rápido, sem enrolação, sem frescura. O resultado foi o CD entitulado "Curto e Grosso".

O som do Vulgaris de hoje é um mix de barulho. Algo que é fundamentalmente hardcore, sem esquecer as raízes punk, antenado com o que há de mais novo e criativo no universo do metal. A música do grupo flerta também com o rock alternativo, com a psicodelia setentista e com a black music.

Referências? Porra, as mais diversas possíveis! Mas vá lá, alguns nomes básicos para se entender o som do Vulgaris: Dead Kennedy's, The Exploited, Titãs (dos bons tempos), Ratos de Porão, Rage Against the Machine, Black Sabbath, Sonic Youth, Primus, Sly and the Family Stone, Jorge Ben (dos bons tempos) e outras coisas. Mistureba, não? Pois é... é daí que sai o som que você vai ouvir.

Vulgaris é: Lau - Bateria e Voz Principal, Abóbora - baixo e Voz e Vinícius - Guitarra e Voz.

 
SOPRONES (Montes Claros)




A banda Soprones foi formada em 2008, com o objetivo de mostrar a inquietação política e social dos seus integrantes através da música. O primeiro trabalho do grupo é o EP "Mão Imunda", lançado em 2008, com seis músicas recheadas de distorção, fúria e criatividade.

"Clayton Souza" (voz), "Andrey Meoli" (guitarra), "Ricardo Carburas" (baixo) e "Danilo Baliza" (bateria) enfiam o dedo nas feridas da sociedade sem medo. Apresentando em suas canções letras fortes e diretas, com sonoridade agressiva característica dos estilos "punk rock e hardcore crossover".

Com apresentações cheias de energia e pegada, a banda norte mineira tem na performance ao vivo o seu ponto forte. Por isso a banda vem colhendo elogios e recebendo prêmios por onde toca, recentemente a Soprones foi premiada com o prêmio de "Banda Revelação do Festival Palco do Rock 2009" (Salvador-BA), um dos mais importantes festivais do cenário "independente nacional".

É isso. Nos encontramos lá.
 
por Malu Aires
 

serviço:

28/05 - quinta-feira

21H - BH Indie Music Projeto Matriz
Shows com as bandas independentes Vulgaris, Soprones (Montes Claros) e Julgamento.
Entradas: R$ 8,00 e R$6,00 (antecipados).
Censura: 16 anos
Venda antecipada no Folha Seca - Av Augusto de Lima, 885 // Centro.

Ver
panfleto

 


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BH INDIE MUSIC
http://bhindiemusic.blogspot.com

Um comentário:

  1. Salve, salve... quinta agora tem duas bandas que eu curto, Vulgaris do broder Barbosa e Julgamento. Estaremos lá para prestigiar a cena.

    no mais... aquele abrAÇO

    Yuga

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